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António de Castro Caeiro e Gianfranco Ferraro (Orgs.), Formas de Conversão. Filosofia, Política, Religião, Espiritualidade, Lisboa: Abysmo, 2025.

Da introdução, de G. Ferraro e A. de Castro Caeiro:

Talvez seja preciso fazermos livros que nos transformem, que nos tornem um pouco mais naquilo que somos ou que nos ajudem, de alguma forma, a mudar o modo como vivemos, a mudar a forma como olhamos para a nossa própria vida. Da mesma maneira, é preciso lermos livros que nos permitam pensar as inúmeras formas como a humanidade poderá viver. Um livro, ou um encontro minimamente interessante, talvez não seja outra coisa senão um texto ou uma pessoa que nos faz pensar de forma diferente nós próprios. Mas os livros e os encontros deste tipo são “tão difíceis quanto raros”, para dizê-lo como Espinosa, não simplesmente por serem difíceis de encontrar, ainda que também por isso, mas porque são igualmente difíceis de pôr em prática. Não é difícil imaginar de que forma estas duas coisas estão ligadas: é preciso treinar-se um pouco para perceber e, portanto, para encontrar algo que possa mudar-nos a vida. O tempo é pouco. E é ainda menos para conseguir responder ao seguinte desafio: mudar de vida é um pouco como morrer, é viver por um momento ou por um período, pouco importa, como que sem pára-quedas. Embora outros tenham “saltado” antes de nós, ninguém sabe efectivamente onde se irá cair, o que resultará daquela mudança, se algo de “nós” sobreviverá. É preciso, talvez, confiar que o que sobreviverá será aquilo que queremos ser “de verdade”, algo que ficou como que esquecido ou abandonado, ao qual regressar, algo que está à nossa espera e que no qual temos, portanto, de confiar.

Nada será como dantes, depois de mudar de vida.

A obra conta com ensaios de Fábio Serranito, Hélder Telo, Luís Aguiar de Sousa, Marta Faustino, António de Castro Caeiro, José Eduardo Franco, Andreas Lind, Bartholomew Ryan, Federico Testa, Gianfranco Ferraro e Antonio Cardiello.